March 2011
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“White Moon”
Sinto o abraço do tempo apertar
E redesenhar minhas escolhas
Logo eu que queria mudar tudo
Me vejo cumprindo ciclos, gostar mais de hoje
E gostar disso
Me vejo com seus olhos, tempo
Espero pelas novas folhas
Imagino jeitos novos para as mesmas coisas
Logo eu que queria ficar
Pra ver encorparem os caules
Lá vou eu, eu queria ficar
Pra me ver mais tarde,
Sabendo o que sabem os velhos
Pra ver o tempo e seu lento ácido dissolver o que é concreto
E vejo o tempo em seu claroescuro
Vejo o tempo em seu movimento
Me marcar a pele fundo, me impelindo, me fazendo
Logo eu que fazia girar o mundo,
Logo eu, quem diria, esperar pelos frutos
Conheço o tempo em seus disfarces, em seus círculos de horas
Se arrastando feito meses se o meu amor demora
E vejo bem tudo recomeçar todas as vezes
E vejo o tempo apodrecer e brotar
E seguir sendo sempre ele
Me o tempo todo começar de novo
E ser e ter tudo pela frente…
“Take me away to nowhere plains…”
Música ao fundo: um blues, um jazz — qualquer coisa sóbria mas embriagante, qualquer coisa que não deixe espaços.
Vozes que cantam em uníssono uma loucura não declarada, secretíssima.
A melodia encharcando cada poro, trazendo a lembrança de um quase crime: impensado, indecente.
O sabor do vinho, da fumaça, do cigarro, se perdendo entre dedos finos.
Flashes de um passado remoto; imagens de uma verdade presente.
A taça cheia; a casa vazia. Fotografias de uma obsessão recorrente.
- Incontida